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CRÔNICAS DA CASA

quando a vida parece complicada demais
2 anos atrás

quando a vida parece complicada demais

epoca

À medida em que crescia fui ouvindo cada vez com mais frequência minha mãe professar:

“Filha, estude e vá atrás da sua independência profissional e financeira. Não dependa de ninguém, muito menos de marido.” 

Este era o mantra, este era o direcionamento.  E segui firme nele, sem pestanejar. De “primeira aluna” da escola na minha cidade natal ao primeiro lugar no vestibular de Engenharia. Quando dona Ornella, minha mãe, faleceu quase ao final do quarto ano de faculdade foi ao mantra da não-dependência que mais me apeguei para seguir em frente. A determinação me rendeu 4 ótimas propostas de emprego assim que coloquei as mãos no diploma. Poderia escolher qual caminho seguir para começar com o pé direito minha promissora carreira executiva em São Paulo.

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pausa para o bolo
2 anos atrás

pausa para o bolo

naked cake 2

 

Ontem eu quarentei.

Como desde que eu me conheço por gente um 17 de junho muito esperado.

Mas o primeiro nesta quarentena que me fez pensar muito, revirar sentimentos e certezas.

Não é uma questão de idade – é uma questão de auto conhecimento.

Então, acordei para os quarenta despertando para mim. O que é lindo e necessário.

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movimento natura

Algumas lembranças voltam para a minha mente sem pedir licença. Ficam guardadas em meu coração e minha mente bem escondidas, mas quando voltam, chegam com força. Há alguns meses venho relembrando a história do câncer e da mastectomia da minha mãe com meu marido sem razão aparente.

Quando d. Ornella tirou o seio direito eu tinha 13 para 14 anos. Era uma princesa mimada em um castelo encantado, dona de quase tudo o que podia ter e estava ao alcance dos meus pais. Não entendia direito o que acontecia, mas via a tristeza estampada no olhar e nas atitudes de todos ao meu redor.

Depois da cirurgia, além da cicatriz enorme no corpo (e na alma), minha mãe viu os pontos se abrirem e uma enorme ferida aberta brotar em seu peito. Foi difícil contê-la e eu me lembro até de colocarmos açúcar cristal como tentativa de promover a cicatrização. Quanta dor, quanto simbolismo. A ferida fechou, as marcas ficaram.

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espaguete a carbonara do #aDicadoDia
2 anos atrás

espaguete a carbonara do #aDicadoDia

espaguete a carbonara

Espaguete a carbonara é uma das minhas receitas preferidas. Quando eu era mais jovem, tinha um “paquera” italiano – falava-se assim nos meus tempos de adolescente, viu? – que, quando queria impressionar, levava a turma de amigos para a casa dele e preparava um autêntico carbonara. Confesso que na época eu, que só pensava em estudar e passava longe de fogões e livros de receita, realmente ficava impressionada com o prato e com a habilidade do moço. Pensando bem, não fiquei tão impressionada a ponto de transformar a paquera em namoro, mas a lembrança do prato ficou comigo por anos. Quando me reconciliei com as panelas e com a vida doméstica, o espaguete a carbonara foi uma das primeiras receitas que procurei aprender.

E também foi natural escolher esta receita como complemento para o vídeo do A Dica do Dia. No dia da nossa gravação, foi este o prato que serviu de almoço para mim e para a equipe de filmagem. Eles aprovaram.

Agora, com a receita em punho, espero que vocês também aprovem. 😉

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presente com significado

com significado

 

Semana passada foi o dia do professor e, infelizmente, com a correria da vida dentro e fora da internet eu não consegui programar sugestões de presentes diferentes para postar  e – momento confessionário – nem conceber lembrancinhas surpreendentes para os professores das crianças.

Eu tinha um número considerável de presenteados – quase 20 (!) pessoas – e, no meio da correria da minha vida, optei por algo “quase” sem erro: uma caixa de trufas belgas pequena e deliciosa.

Embrulhei cada uma das caixinhas com papel pardo – sim aquele curinga para o qual já escrevi um  post e devotei um painel inteiro no Pinterest – com as crianças ao meu redor, curtindo cada pedaço cortado de fita adesiva, cada dobra do papel e perguntando muito sobre tudo. Minha ideia inicial era finalizar o embrulho com um laço de fita bonito e com uma etiqueta bem escrita – algo com uma elegância discreta que me faria dar conta do recado sem sustos.

Mas enquanto eu pensava tinha a ronda das crianças incessante ao meu redor, barulhenta e animada. Fiquei nervosa e apreensiva por alguns minutos, pois queria resolver logo a questão. Mas as crianças tinham toda razão do mundo para estarem ali; afinal de contas eram presentes para os professores deles, para pessoas importantes na conviência diária de ambos.

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escola estadual profa. Ornella Rita Ferrari Sacilotto
2 anos atrás

escola estadual profa. Ornella Rita Ferrari Sacilotto

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Ontem foi dia do professor e eu me recordo de já haver publicado a imagem acima alguns anos atrás, mas eu gosto muito dela – acho simbólica (e verdadeira) demais. Um bom professor é aquele que abre as janelas do mundo para seus alunos e tais quais passarinhos, os fazem voar. Tive professores memoráveis mas, acima de tudo, tive uma sorte danada de ser filha de um casal de professores. O pai, professor de matemática. A mãe, professora de português. Olha só que dupla do barulho!

Foi minha mãe quem me alfabetizou e quem acompanhou mais de perto minhas tarefas, minhas dúvidas e minha rebeldia. Cuidava da minha vida com o mesmo esmero que se dedicava aos seus alunos. Por 25 anos lecionou em escolas públicas, sempre dando o melhor de si. Trabalhava com o coração e acreditava que poderia fazer a diferença para cada aluno – foram 25 anos de dedicação (e realização). Posso dizer sem falsa modéstia que mudou a vida de muitos, para a melhor – começando pela minha. Leia mais