é um bordado da Madeira com certeza?

Esta vem de quando eu era criança…
Há muito tempo – “a long time ago…” escreveriam nas histórias da Disney – eu era criança lá no interior de São Paulo.
Havia uma mulher que vendia peças de enxoval para casa com os famosos “bordados da Ilha da Madeira”. Eram caros e objetos de desejo na cidade.
Minha mãe, que era professora da rede pública e não tinha aquele salário astronômico, tinha adoração por eles.
Abre parênteses: Minha mãe era uma mulher muito refinada, era reconhecida pela elegância e bons modos. Não era uma questão de dinheiro não, porque nunca fomos ricos – apesar nunca termos passado fome. Fecha parênteses.
Então comprou algumas – na verdade duas – peças. A prestação e muito custo.
As tais peças só saíam da gaveta em dias muito, mas muito especiais.
Eram duas toalhas de mesa pequenas.
Hoje, as tais toalhas são usadas continuamente na casa do meu pai.
Minha mãe se foi há tempos e não há nenhuma mulher 24 x 7 para controlar o que acontece na casa.
Deixo que usem, porque as acho bonitas e alegres.
Elas me agradam enormemente.
E, segundo a minha teoria, a gente tem que usar o que compra. Não dá para ficar esperando Godot sentadinha…
O que aconteceu com a minha mãe?Comprou mas não usou.
E ela ainda contava mais uma história a respeito dos tais bordados: tinha uma mãe que foi comprando o enxoval aos poucos para a filha e guardava tudo em um baú, com grande antecipação.
Quando chegou a data do casamento, foram tirar as tais peças bordadas e estava tudo comido por traças.
Moral da história (pelo menos para mim): não usou, dançou.
Usem o que tem.
Faz bem para a alma, faz bem para o planeta também – afinal diminui o consumo, pois você usa o que já comprou não precisando comprar algo para usar no dia a dia e outro para as festas.
Aliás, festa é todo dia.
Para você mesma e quem você ama.
Beijoca
PS: A foto é de uma das tais toalhas.
Pesquisando oráculo afora para este post não achei nenhum bordado em estilo parecido.
Amigas portuguesas ou quem mais possa me ajudar: será que minha mãe foi ludibriada?